4. ECONOMIA 17.10.12

FORA DO ALVO
Queda na atividade da economia faz o governo brasileiro relaxar o cumprimento de suas principais metas.

     A dcima reduo seguida anunciada pelo Banco Central levou a taxa bsica de juros no Brasil, a Selic, a inditos 7,25% ao ano. O novo patamar, compatvel com o praticado nas economias mais equilibradas, tende a estimular o crdito e a garantir, pelo menos, uma expanso de 1,6% da economia brasileira neste ano. Seria uma notcia a ser festejada, no fosse o fato de o BC, presidido por Alexandre Tombini, ter baixado a taxa ao seu valor mnimo histrico apesar dos sinais evidentes de que a inflao est fora do previsto. Isso embute um risco. O ndice de reajuste de preos utilizado como referncia pelo governo, o IPCA, mantm-se, nos ltimos dois anos, entre 5% e 7%, acima do centro da meta oficial, de 4,5%. Na avaliao do BC, existe menos risco em tolerar a inflao provisoriamente acima da meta do que em frear a economia. Ningum projeta um retorno aos dias de hiperinflao, quando os reajustes superavam 5% por semana. Ex-diretores do BC afirmam que o no cumprimento das metas traz dvidas com relao  trajetria futura dos juros e da inflao, uma ameaa considervel para os investimentos de longo prazo. Sem falar em outra ferrugem que corri riqueza, a indexao, aquele fenmeno em que as pessoas, as empresas e os sindicatos comeam a defensivamente repassar para seus preos a taxa de inflao que eles prprios arbitram  uma taxa sempre acima da real.
     O governo est afrouxando os parafusos dos alicerces do trip macroeconmico que vinha mantendo a economia brasileira estvel nos ltimos doze anos. O trip  formado por metas de inflao (o BC as ignora), taxa de cmbio flutuante (h tanta interveno do governo que o mercado considera que o cmbio no Brasil agora  fixo) e equilbrio nas contas pblicas (por vezes mantido com truques contbeis). H cinco meses o preo do dlar estacionou na faixa de 2 reais, e pouco tem flutuado. Tentativas passadas de controlar o dlar acabaram mal, simplesmente porque resultaram em cotaes irreais. H uma crena de que depreciar o cmbio e baixar os juros j basta, diz Sergio Vale, da MB Associados. Dessa nova poltica, o nico resultado ser mais inflao. Essas intervenes podem trazer um caos econmico como o que existe na Argentina. Mais uma vez, com a desculpa de queda na atividade, o governo no dever cumprir a meta de obter um supervit fiscal primrio (o que sobra da arrecadao antes do pagamento dos juros da dvida pblica) equivalente a 3,1% do PIB. Para o economista-chefe do Ita Unibanco, Ilan Goldfajn, a reduo do supervit, quando saudvel, permite aumentar o volume dos investimentos e gerar crescimento da economia. Desrespeitar o supervit primrio para poder ampliar as despesas correntes da j inchada mquina pblica  um erro habitual de sucessivos governos brasileiros  herana maldita da qual Dilma Rousseff no se livrou e com a qual parece estar conformada. 
MARCELO SAKATE

O TRIP ABALADO
As metas de inflao, o supervit fiscal e o cmbio flutuante formam os pilares da estabilidade brasileira. Nos ltimos meses, o governo deixou de seguir esses parmetros a ferro e fogo.

Inflao alm da meta 
IPCA, doze meses encerrados em setembro 5,3%
META 4,5%

Supervit aqum da meta
Resultado fiscal primrio do governo 2,5%
META 3,1%

Cmbio que no flutua
Cotao do dlar, em reais
2012
JAN  1,78
JUN 2,02
OUT 2,04
Fontes: Banco Central, IBGE e Tesouro Nacional


